80 Anos da Madrinha Rita
Um festival inesquecível

Testemunhos de quem esteve lá...
Mais de trezentos visitantes vindos de todas as partes do
mundo participaram do grande Festival da Fogueira,
que este ano homenageou os oitenta anos da nossa querida
madrinha Rita.A partir do Santo Antônio começaram
a chegar, pouco a pouco os visitantes vindos de todos os
quadrantes do globo.
Na praça onde está o marco zero da Vila, o
local onde o Padrinho Sebastião e um grupo de pioneiros
desembarcaram há 22 anos atrás, os grupos
circulam . Ouvem-se as línguas de diversos paises
e muitos sotaques de todos os cantos do Brasil.
Os festejos se iniciaram no dia 21 com um trabalho de São
Miguel e seguiu com o hinário da Madrinha Rita no
dia 22. No dia 23 de junho, com a Igreja lotada com mais
de setecentas pessoas, tivemos uma noite de gala com a festa
de São João.
A
Igreja matriz parecia uma noiva toda ataviada, com uma bela
decoração, onde se destacavam os belos painéis
da aniversariante emoldurada de jagubes , rainhas, flores,
bandeirinhas e toda sorte de adereços.
O povo continuou chegando durante todo o dia 24, um dos
poucos onde não tivemos trabalho espiritual. No dia
25 pela manhã aconteceu o ponto culminante do festival
deste ano: o hinário do Padrinho Sebastião,
em louvor aos oitenta anos da nossa matriarca. Santo Antonio,
São João, a senhora e São Pedro...
Foi
também neste dia que chegaram para o hinário
nossas ilustre vovós, que estão em viagem
pelo mundo rezando pela paz..Bernadete,.Agnes, etc. Vieram
homenagear a aniversariante e conhecer nossa irmandade espiritual.
No dia 26, foi o dia de prestar uma homenagem a nossa querida
Madrinha Cristina , relembrando os cinco meses de sua passagem.Após
a oração os acordes da Bela Mensagem era escutado
por toda a Vila. Que aliás estava bastante movimentada
com as filmagem que estavam sendo realizadas por duas equipes
de TV presentes ao evento.
A
maratona espiritual continuou no dia 27, com a realização
do Trabalho de Mesa Branca e a apresentação
das vovós . Mesmo com a chuva fora de época
para atrapalhar um pouco, após a abertura na Igreja,
todos se dirigiram para a fogueira no terreiro para ver
a apresentação de Bernadete .Ela é
uma liderança reconhecida internacionalmente da Tradição
Buwiti do Gabão, que usa uma planta enteógena,
a iboga, nos seus rituais.
No dia 28 foi finalmente armada a última fogueira
do festival: São Pedro.Um trabalho para cantar o
belo hinário do Cruzeirinho do Padrinho Alfredo.E
para junto as cinzas da última fogueira do ano, meditar
sobre as instruções recebidas e assumir os
compromissos de transformação que elas nos
pedem.Foi um trabalho primoroso que fechou a série
da fogueira, deixando todos alegres e satisfeitos no amanhecer
do dia de S.Pedro festejado.
Continuando a jornada, depois de um breve descanso, o dia
29, foi escolhido para que apresentasse um círculo
com a medicina sagrada do peiote.. Ela é neta de
, um dos fundadores da Native American Curch e sobrinha
de Eugene Black Bear, ancião e líder da NAC
que já esteve desenvolvendo um trabalho conosco em
1999 em um Congresso Xamânico em Manaus.
Entre os cânticos e o som dos tambores de água,
mais uma vez sentimos uma grande comunhão unindo
a águia do norte e o condor do sul nesta aliança
que começou no Encontro da Associação
Internacional de Psicologia Transpessoal em 1996 e que depois
continuou através do nosso contacto estreito com
a comunidade Kayumari na Califórnia.
E por falar em alianças espirituais, tivemos a oportunidade
também de realizar os trabalhos com o Temazcal, a
sauna sagrada. A turma da Igreja de Florianópolis
trouxe as pedras (coisa inexistente por aqui), que uma vez
aquecidas, são conduzidas ao interior da tenda de
suor, resultando muito calor e também curas.
A autorização para este tipo de trabalho foi
obtida a partir da aliança firmada em 2002 entre
a igreja do Culto Eclético e a Igreja Nativa Americana
do Fogo Sagrado de Itzatlatan, com o quem temos também
laços de cooperação e de aliança
desde 2002.
No dia 30, apesar do cansaço acumulado fruto dos
diversos trabalhos, não faltou a concentração
oficial para coroar a semana, incluindo o hinário
do Antônio Gomes.Com o motor silenciado por uma pane
providencial tivemos a oportunidade de aprofundar nossa
concentração em total silêncio e obscuridade.
Como
se não bastasse a intensidade do calendário
espiritual,as reuniões e encontros iam acontecendo.
O povo das diversas igrejas aproveitando bem o tempo para
fazer intercâmbios e combinações.
As igrejas estado- unidenses estiveram bastante representadas.
Foram feitas algumas reuniões para tratar do tema
da legalização. Outros se dividiram entre
os diversos eventos paralelos `a festa, como o Feitio do
sacramento, curso sobre florais da Amazônia , caminhadas
na mata, etc.
A
destacar também a visita do sr. Daniel Serra, sobrinho
do Mestre Irineu, que o trouxe do Maranhão com a
idade de 18 anos. Com os mesmos traços fisionômicos
do ilustre tio, Daniel esbanjou muita simpatia e cativou
muitos ouvintes extasiados com os causos e lembranças
do Mestre, com quem conviveu íntimamente durante
muitos anos.
Reunidos também o pessoal da Associação
de Moradores, representantes da Comunidade São Sebastião,gente
do igarapé, do Purus, etc.. O principal assunto nas
rodas era a iminência da construção
da estrada que estamos pleiteando junto ao IBAMA para conseguir
uma via de transporte para escoar nossos produtos e facilitar
o acesso `a visitação em nossa FLONA.
Nossas principais instituições, a saber, Igreja,
IDA ,AMVCM e COOPERAR estão num processo adiantado
de estudo , junto com nossos parceiros, para iniciar o Plano
de Manejo e o Zoneamento da nossa área.Isto deve
acontecer a partir de encontros, reuniões e seminários
que começarão logo apos o Festival.
A Diretoria do IDA também esteve ativa e trabalhando
bastante durante o festival. Muitas articulações
políticas e projetos.
Já a Diretoria da Igreja estará realizando
nos próximos dias uma reunião do Conselho
Superior Doutrinário para definir muitos assuntos
importantes relativos a versão oficial dos nossos
hinários e das normas de ritual, que comporão
o selo Cefluris.
Sábado
pela manhã tivemos a tradicional caminhada pela mata
com o Padrinho Alfredo pelo Jardim da natureza.Parada nos
terreiros para cantar alguns hinários e sentir a
força e a energia da floresta.
E para falar um pouco de cultura, festa e culinária
regional, o sábado `a tardinha foi reservado para
o Festival da Macaxeira, uma grande feira gastronômica
onde a macaxeira é o centro das atrações
e de diversas iguarias deliciosas da cozinha cabocla.
Faltando apenas o hinário e a missa do dia 6 de julho,
em homenagem ao nosso mestre fundador Irineu Serra, que
desde o astral certamente está contente em ver sua
bela doutrina se expandindo em todo o mundo e o seu nome
ser louvado em tantos idiomas desde aqui no coração
desta floresta, o seu berço original.
A partir de agora já vai começar o movimento
dos barcos , levando o pessoal de volta para casa. Saudades
que ficam, saudades que vão, como diz o hino.
E para quem tem mais um tempo programado, uma esticada no
Juruá para encerrar o Festival.Como já é
praxe, o Padrinho Alfredo parte com um grande grupo em visita
as comunidades de Cruzeiro do Sul,Ipixúna, Estorrões,
etc. A festa continua e o trabalho idem.
Oxalá possamos repetir tudo de novo no próximo
ano!
Alex Polari de Alverga
Secretário de Comunicação
Editor do Site
(escute seu último hino - o 141
- 'Sonho do Beija-Flor')