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Entrevista com Maria Alice Campos Freire

Quando chegou ao Mapiá, em 1989, ela já era uma pesquisadora do poder medicinal das plantas. Hoje, os frutos do trabalho de Maria Alice falam por si mesmos: o Centro Medicina da Floresta, a Santa Casa Padrinho Manoel Corrente e, mais recentemente, o livro "Florais da Amazônia", em co-autoria com Isabel Barsé.
A publicação é fruto de sete anos de trabalho no desenvolvimento e aplicação de uma linha terapêutica que já encontra vários adeptos no resto do Brasil e do mundo.

Em São Paulo ela nos concedeu esta entrevista, da qual publicamos abaixo trechos selecionados. A íntegra da conversa pode ser acessada AQUI.


Acabamos de ouvir uma palestra sua só sobre os florais e o Centro Medicina da Floresta. Então, agora queríamos que você falasse mais sobre o Daime.

Foi no Daime que eu recebi minhas próprias curas. Ele trouxe a consciência. É a consciência que cura mesmo, né? Sem a consciência não existe a cura verdadeira. E o Daime é que trouxe esse auto-conhecimento, a compreensão de tudo que aconteceu, por que chegamos aonde chegamos e qual é a direção. Porque antes era apenas uma intuição que a gente tinha, que ia procurando – até chegar nesse ponto que o Daime revelou.

A cura espiritual passa pelo auto-conhecimento. É isso?

Ah, é! Porque se não tiver a consciência, é difícil se curar. É preciso conhecer e ser paciente para a cura ser duradoura. Porque senão, você anda pelos caminhos e se distancia novamente; pode se distanciar muitas vezes da sua meta se não tiver a memória, a consciência de quem é, de onde vem, do que veio fazer aqui. Então, essa cura espiritual tem que passar por esse estudo, né? E esse estudo o Daime traz, ele apresenta.

E a mediunidade? Muita gente chega no Daime e trabalha isso de uma maneira intuitiva, sem saber direito o que está acontecendo, aí passa por apuros que talvez fossem mais fáceis de superar com algum tipo de instrução.

Eu acho muito importante desenvolver o estudo dessa instrução, porque o Daime abre isso para todas as pessoas – mas abre espiritualmente, né? Então, dentro da consciência material da pessoa, nem sempre é fácil aparelhar tudo aquilo e ter a compreensão no plano da matéria, da mente e do comportamento. Então, eu acho importante trabalhar com a instrução daqueles que já estudaram, porque já existe muito conhecimento revelado, inclusive pelos canais espirituais, mediúnicos. Existe muita literatura e muitas práticas que podemos desenvolver. O Daime mesmo nos dá instruções nesse sentido; e os nossos próprios guias dentro do Daime também nos dão instruções nesse sentido, então só nos resta mesmo é praticar, né? Desde que cheguei no Céu do Mapiá, venho trabalhando sistematicamente nisso, porque foi o próprio Padrinho Sebastião quem me ordenou e me instruiu (e ainda hoje me ordena e me instrui!) no sentido de trabalhar. Porque essa é a vontade mesmo, né? Cada um tem a sua missão. A minha está ligada a esse aspecto mediúnico, porque cheguei com esse dom. Antes de chegar no Daime, eu já trabalhava na linha de umbanda e na Mesa Branca espírita. Eu fui formada dentro do espiritismo e da umbanda. Nesses estudos, desenvolvi meu aparelho até um certo ponto. Dentro do Daime é que esse ponto se elevou. Mas foi muito importante que eu já tivesse essa formação para poder receber a luz do Daime e evoluir dentro dela, entendeu? Quando eu cheguei no Mapiá, que o Padrinho Sebastião mandou eu ir para a mata, abrir uma clareira lá junto com o Vô Corrente, para poder chamar os caboclos para curar os doentes, aquilo me surpreendeu, porque eu pensava... Não só pensava, como disse a ele: "Mas, Padrinho, para que o senhor precisa de caboclo? O senhor já tem tudo: já tem a Luz, a Verdade, a Justiça, a Sabedoria, o Amor, tudo na sua mão". Ele disse: "Mas eu preciso dos caboclos, minha filha! Porque meu povo não tem capacidade de acompanhar a luz do Daime e os caboclos é que vão me ajudar a limpar o canal do meu povo, para ele poder acompanhar a luz do Daime". Então, essa clareza ele me deu da dimensão exata daquele trabalho – conforme foi que os caboclos fizeram comigo: essa limpeza, esse aparelhamento, essa compreensão, essa caridade. Tudo isso que é um bê-a-bá muito simples: a pessoa se entregar ali na mão daquela entidade, para ela vir aparelhar e fazer a caridade. O trabalho com o pensamento, tudo isso é o bê-a-bá da história: a fé, a entrega, a caridade; a humildade que é preciso ter, porque se a pessoa se engrandece, aparelha outras coisas que não são os guias de cura, que são aqueles trapaceiros, aqueles embusteiros que vêm. A pessoa já tendo aquela instrução de base, quando entra no Daime, já tem mais condições no plano material dela para poder lidar com tudo aquilo. O Padrinho também tinha isso, também se desenvolveu numa banca espírita, já trabalhava com os guias dele de cura antes de chegar no Daime – então ele tinha essa clareza, de como isso facilita a vida da pessoa dentro do Daime. Muitas vezes a pessoa vai dentro do Daime se conhecer, vai saber que já tem relação com aquelas falanges e entidades de outras vidas, então já traz de outro tempo aquela missão. Tudo o Daime vai nos ensinar: a aparelharmos o nosso Eu Verdadeiro, o nosso Eu Superior, que é o principal e único verdadeiro aparelhamento que devemos conservar para sempre, né? O resto, são tudo alianças espirituais.

Queríamos também que você explicasse essas várias categorias de trabalho de Cura, Estrela, São Miguel e Mesa Branca. Quais são os degraus, a ordem que se deve percorrer, a periodicidade que se recomenda fazer esse tipo de trabalho...

Vou tentar, né? Lá no Mapiá também a gente passa por ciclos diferentes. Quando o Padrinho estava encarnado, a gente trabalhava muito na Estrela. É um trabalho bem evoluído, onde a pessoa já vai apresentar o serviço, um trabalho de Cura aberto para as passagens de muitas falanges de todas qualidades e já é o exercício mesmo daquela cura, a manifestação e o processamento. Como o Padrinho tinha uma evolução tão superior de seu espírito na matéria, ele dava aquela marca na corrente. Ele era tão desenvolvido que a presença dele material imprimia um nível no trabalho que, depois que ele passou, ficou mais difícil de encontrar. Hoje em dia, tudo mudou muito, porque a irmandade cresceu muito. A missão do nosso dirigente hoje também aumentou muito o serviço, né? Eu sinto que o tempo mesmo trouxe a necessidade de diversificação dos trabalhos. Que já naquela época o Padrinho foi quem abriu e mandou criar esses trabalhos de formação. O Padrinho Alfredo também: ele recebeu o trabalho de São Miguel, um trabalho muito importante de limpeza da corrente espiritual –que tem a ver com as demandas, as obsessões, essas coisas todas. Ele vai trabalhar na limpeza de tudo isso – e dos nossos comportamentos, da nossa relação com o eu de cada um, com tudo que nos acompanha. Então, é um trabalho da Doutrina mesmo. Nem sempre acontece assim, mas temos estabelecido entre o Padrinho Alfredo e nós, da equipe de cura, mais ou menos que devemos fazer um trabalho de São Miguel e duas Mesas Brancas por mês. Isso não é uma rigidez, porque às vezes a gente vai e faz outros trabalhos e não faz aqueles, às vezes tem muitos hinários, às vezes a gente resolve fazer o trabalho de Cura tradicional. As Concentrações do Mestre Irineu também são trabalhos de Cura:, se a gente estiver bem limpinho, não precisa de mais nenhum trabalho de cura. Não acontece assim porque mesmo que a gente, individualmente, possa até estar caprichando e se limpando, trabalhamos dentro de uma corrente e a corrente absorve todas essas impurezas. Porque é da missão absorver a impureza, para transmutá-la, né? Já no trabalho de Estrela, tem espaço para tudo: trabalhar com espíritos sofredores, com as falanges dos mensageiros da Terra, que são os exus; trabalhar com caboclos, guias do Oriente, entidades crianças, pretos velhos, outras qualidades de curador, de todas as falanges diferentes, e outras linhas que não são de incorporação, que já são mais esotéricas: tudo tem passagem dentro de um Trabalho de Estrela.. ou não. Depende do que está acontecendo. O trabalho mais aberto que tem é o trabalho de Estrela – e a Mesa Branca. Só que a Mesa Branca trabalha com chamada. É um trabalho didático, uma escola: vai chamando por linha. Chama uma linha, depois manda embora; chama outra, manda embora... Então é um trabalho didático, uma escola.

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