Site do Centro de Documentação e Memória - ICEFLU - Patrono Sebastião Mota de Melo

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Projetos – Calha do Purus

PLANO DE MANEJO DA FLONA DO PURUS E MANEJO FLORESTAL COMUNITÁRIO 
 
Programa visando o ordenamento do território e a utilização sustentada dos diversos produtos da Floresta Nacional do Purus, onde está situada a Vila Céu do Mapiá.  Com cerca de vinte anos de atraso,  incluindo 3 mudanças no gestor estatal  (IBDF, IBAMA e ICMBio), o Plano de Manejo da FLONA do PURUS,  finalmente aprovado pelo Conselho Consultivo da citada unidade de conservação , está em vias de oficialização. Com isto, a Universidade Federal de Viçosa e a Instituto Socioambiental de Viçosa está ultimando o Plano de Manejo Florestal Comunitário, visando o início da exploração comercial comunitária, de produtos madeireiros e não  madeireiros, a partir de 2010.
 

 
Em 2003, a partir de articulação estabelecida pelo Instituto CEFLURIS, representantes de diversas entidades ambientalistas sediadas em Rio Branco-AC visitam a Vila – WWF, CTA (Centro de Trabalhadores na Amazônia) e Instituto Nawa. Na ocasião se realiza uma Oficina com os moradores, focalizando os temas “Floresta Nacional” e seu “Plano de Manejo”, até então aguardando início de estudos técnicos (de acordo com o decreto de criação da FLONA do Purus em 1988, este plano deveria estar pronto até 1993, cinco anos após a criação da unidade). Neste mesmo evento delibera-se, em conjunto com os moradores, a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC) da Vila Céu do Mapiá, para ser construído participativamente.
 
No âmbito do PDC, realizam-se (através do CTA) oficinas de manejo florestal e  elabora-se inventário amostral da área à ser explorada comunitariamente, lançando diretrizes para um futuro plano de manejo florestal sustentável. Alguns membros da comunidade são capacitados nessas técnicas, em cursos promovidos pelo patrocinador das oficinas, no Acre.
 
Ainda no contexto do PDC, em 2003, foi elaborado o projeto Gestão Participativa da Flona do Purus, atendendo a edital do Fundo Nacional de Meio Ambiente para o levantamento sócio-econômico e ambiental da floresta nacional, para a mobilização social e para a criação do Conselho Consultivo, visando a discussão e oficialização do Plano de Manejo da FLONA do Purus. Este plano, por sua vez, foi feito sob o patrocínio do IBAMA com assessoramento técnico da Universidade de Viçosa e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, agregados à tarefa através da AMVCM.
 
A partir do início de 2005, com a primeira Oficina de Planejamento Participativo do Plano de Manejo, realizada na Vila Céu do Mapiá, as atividades técnicas na Floresta Nacional passaram a centrar-se nessa tarefa.
 
Desde o ano de 2004 foram realizadas pelos menos duas reuniões anuais nas comunidades do Rio Inauini residentes nas Florestas Nacionais do Purus e Mapiá- Inauini, visando principalmente a orientar os moradores sobre seus direitos e deveres, a legislação ambiental, o papel da população na preservação dos recursos da unidade e também mobilizar a população para participar do processo de construção do Plano de Manejo e do Conselho Consultivo.
 
Em 2008 foram aprovados os planos de manejo das florestas nacionais do Purus e Mapiá-Inauini, em assembléias dos respectivos conselhos consultivos (o Instituto CEFLURIS tem assento nos dois), formalizados no ano anterior. Na ocasião, também foram incorporados ao debate representantes da Resex (Reserva Extrativista) Arapixi, visando a composição de um Mosaico de Unidades de Conservação englo-bando as três unidades, que são limítrofes.
 
A oficialização  do  Plano de Manejo da Flona do Purus (assim como o  da Mapiá-Inauini)  veio a ocorrer em 2009,  com sua publicação no Diário Oficial da União ou seja, 22 anos após a publicação do decreto de sua criação.  
 
Atualmente este programa encontra-se em fase de implantação de uma serraria comunitária, em regime de cooperativismo, já que, em 2010, foi finalizado o projeto Manejo Florestal Comunitário, Floresta Nacional do Purus/AM-Sustentabilidade da Produção de Madeira, executado pelo Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Viçosa, com a colaboração do IBAMA e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Este projeto selecionou  e inventariou a primeira gleba UMF (unidade de manejo florestal) para a exploração sustentável de madeira. 
 
 
PROGRAMA DE SEGURANÇA ALIMENTAR
 
Vem sendo desenvolvido pesquisas neste sentido desde 1995 . Em 2003 foi lançado o projeto Agropraia / Floresta,  uma proposta que visava combinar a agricultura nas várzeas e praias do rio Purus com a implantação de sistemas agro-florestais nas áreas desmatadas da Vila Céu do Mapiá e ao longo do igarapé. O projeto inclui também a instalação de módulos de pesquisa e beneficiamento da produção, visando alcançar a sustentabilidade alimentar da comunidade com baixo impacto ambiental na área da FLONA. Além das culturais tradicionais, está sendo desenvolvida várias culturas introduzidas como a cevada perolada, sorgo, gergelim , amaranto, modalidades de arroz indiano, etc. Em 2007 o projeto, que já foi apresentado na FAO, conta com o apoio de uma Fundação da Califórnia (FHFA), teve o apoio da Fundação Banco do Brasil e do MDS- Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome. É um projeto de grande significado social e considerado de referência em sua área. 
  
Programa de Segurança Alimentar : Plantio de arroz nas praias do Rio Purus
 
 
PROGRAMA DE SUSTENTABILIDADE URBANA PARA A VILA CÉU DO MAPIÁ
 
Este programa envolve um conjunto de empreendimentos, ações e projetos implantados e em implantação  na Vila Céu do Mapiá .Assim como outros programas, vem sendo desenvolvido dentro de princípios que levam em consideração o fato da vila pertencer a uma Unidade de Conservação federal.
 
Este programa teve início a cerca de cinco anos após a fundação da vila,  a partir dos contatos iniciais da AMVCM com o antigo IBDF ( Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Florestal), em 1988.
 
 
PLANO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO - PDC
 
O PDC foi um projeto elaborado pelo Instituto CFLURIS em parceria com a AMVCM e com o apoio da WWF, que buscou criar condições para o fortalecimento da comunidade com vistas  à elaboração, conscientização, mobilização e execução do Plano de Manejo da FLONA do Purus. Foi uma experiência bastante rica que incentivou as reuniões por bairros e a organizou de todos os setores atuantes e produtivos dentro da nossa comunidade.
 
 
PROGRAMA DE SUSTENTABILIDADE  ENERGÉTICA
 
Acompanhando  a prática dominante na Amazônia, em nossa área de atuação, ainda é predominante  o uso de formas individuais de suprimento energético e os derivados de petróleo são os principais componentes da matriz energética.  Tendo em vista a sustentabilidade energética e  ambiental, já há um número expressivo de instalações domésticas geradoras de energia elétrica, via painéis solares, principalmente na Vila Céu do Mapiá.
 
Atualmente a supra citada vila aguarda a instalação de uma usina termoelétrica (já liberada pelo governo do estado) à base de óleo combustível, que deverá ser subsidiado pelo programa governamental Luz para Todos. Isto implica em uma complexa operação logística, com a possível construção de uma estrada, tendo em vista a falta de condições das vias fluviais e terrestres existentes, para  suportarem equipamento com tamanho volume e peso. Estão previstos no programa agro-praia-floresta, a implantação de áreas destinadas ao cultivo de biocombustíveis, com vistas à substituição dos derivados de petróleo.
 
 
PROGRAMA  VIA DE ACESSO TERRESTRE

Com o passar dos anos e o intenso tráfego de canoas, o igarapé Mapiá assoreou em alguns pontos e o depósito de sedimentos em sua desembocadura junto ao rio Purus necessita de uma dragagem. Com as mudanças climáticas em curso, as secas tem sido mais intensas e prolongadas, permitindo apenas condições de navegabilidade em canoas de baixíssimo calado, dificultando o transporte e o abastecimento de gêneros e combustíveis à Vila, durante estes períodos. Desta forma como uma alternativa necessária , com a autorização do ICMBio, abrimos uma estrada alternativa de traçado ecológico, evitando todas as árvores  de grande fuste. A estrada de 44 km liga a embocadura do igarapé Mapiá no Rio Purus ao centro da nossa Vila. Problemas de posse de terra retardaram a plena operacionalização da estrada e motivaram algumas medidas judiciais  na comarca de Boca do Acre para liberá-la. Atualmente um projeto da SERPROR/AM está nos trazendo recurso para a melhora da estrada e a construção de um ramal alternativo de 10 km para contornar a área em litígio com os fazendeiros da região.

 

AMAGAIA

A partir de 2011 fomos desenvolvendo contatos com a comunidade Findhorn na Escócia, referência mundial na capacitação, planejamento e design  de ecovilas em todo o mundo.

Com a intensificação desta parceria e o esforço levado a cabo pelos membros da igreja de Viçosa, com recursos coletados pela irmandade e alguma ajuda do IEB e do ICMBio, foi realizado em fevereiro e maio de 2013 os 4 módulos básicos de formação da rede mundial de ecovilas: ecológico, econômico (com noções de perma -cultura, economia solidária e moeda social), social e visão de mundo. Foi um processo profundo, intenso e gratificante, reunindo quase 100 pessoas durante  dois períodos de 15 dias de curso,  com a presença maciça dos jovens. Vieram também representantes de outras comunidades da nossa Flona e membros das comunidades indígenas da etnia apurinam.

Tivemos a oportunidade de receber diversos pensadores de ponta como John Croft criador da metodologia do Dragoondreaming, May East de Findhorn, José Pacheco, educador e idealizador da escola da Ponte, entre outros. Muitas oficinas e grupos de trabalho foram criados (especificar) e muitas sementes boas deste processo continuam dando frutos em nossa comunidade. 



Encontro AMAGAIA com John Croft - 2013


PLANO DIRETOR VILA CÉU DO MAPIÁ
 
Atualmente é uma das nossas prioridades estratégicas .  Busca detalhar o zoneamento previsto no Plano de Manejo para a ocupação humana dentro da FLONA. Também regulamenta o uso do solo e a  preservação da microbacia onde está assentada a comunidade.
 
 
CONSELHO CONSULTIVO GESTÃO PARTICIPATIVA DAS FLONAS
 
As nossas principais instituições (Instituto CEFLURIS, AMVCM, COOPERAR) fazem parte do Conselho Consultivo das FLONAS do Purus e do Mapiá-Inauini e participam da gestão destas duas unidades de conservação.
 
 
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DO EXTRATIVISMO VEGETAL 
 
Programa capitaneado pela exportação do cacau nativo. Este empreendimento envolve um amplo leque de articulações institucionais (uma empresa privada alemã produtora de chocolates em barra, a agência de cooperação alemã GTZ, a Universidade Federal do Acre, a Universidade de Viçosa, a CEPLAC , instituição governamental para a lavoura cacaueira , o Ministério do Interior e a Secretaria de Produção do Amazonas). Atualmente, este programa abrange uma extensão de aproximadamente  200 Kms ao longo do  rio Purus, entre os municípios de  Boca do Acre e Pauini, envolvendo diversas comunidades ribeirinhas, com a implantação de unidades de secagem de frutos e um programa de extensão rural voltado para a cultura cacaueira.
 

Ele vem se desenvolvendo de acordo com demandas criadas pelo processo de industrialização (visando a economia de escala, via cooperativismo), na busca da  garantia da manutenção no fornecimento dos diferentes produtos da ₍oresta (castanha,  frutos de diferentes espécies de  palmeiras para a extração de óleo e produção de artesanato, plantas medicinais, cacau nativo, fibras entre outros).
 
A comercialização do cacau nativo (que é exportado para a Alemanha) é o carro-chefe deste programa e envolve uma ampla articulação institucional abrangendo o Ministério da Integração Nacional (MIN), o Ministério do Desenvolvim-ento Agrário (MDA), a cooperação alemã (GTZ), uma indústria privada alemã fabricante de chocolates (Hachez), a assistência técnica  da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Ca-caueira (CEPLAC), o  Instituto do Desenvolvimento Agrário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM), a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS)  as universidades federais de Viçosa e do Acre, a universidade alemã de Freiburg e o Regenwald Institute.  
 
 
SECAGEM DE FRUTAS E PRODUÇÃO DE ÓLEOS
 
Em 1998, através de negociações AMVCM/MMA foi criada a  COOPERAR – Cooperativa Agro-Extrativista do Mapiá e Médio Purus para viabilizar os projetos de desenvolvimento previstos no PDA – Projetos Demonstrativos “A” financiados pelo Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), desenvolvidos pelo Ministério do Meio Ambiente.
 
   
 
Esses projetos proporcionaram a aquisição de equipamentos para a produção de óleos vegetais e implantação de viveiros envolvendo a AMVCM e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) do município de Pauini-AM, onde foi implantada uma segunda indústria de óleos.
 
Inicialmente  os equipamentos de extração de óleos locais (andiroba, castanha do Brasil, copaíba, patoá, tucumã, entre outros) ou introduzidos (gergelim). anteriormente fornecidos por nossos parceiros (produção de banana passa e farinha de banana/Universidade Federal de Viçosa e fornos de desidratação de frutas / Ingenieros sin Fronteras) seriam distribuídos entre a Vila Céu do Mapiá e a fazenda São Sebastião. Mas, em virtude das grandes dificuldades que en-volvem a logística de apoio aos empreendimentos instalados ao longo do igarapé Mapiá, verificou-se a necessidade da instalação da unidade industrial em Boca do Acre. 
 
Atualmente a fábrica encontra-se paralisada, aguardando recursos financeiros do Ministério do Meio Ambiente, para sua adequação  às normas da ANVISA (Agência Brasileira de Vigilância Sanitária).
 
 
PROGRAMA ARTESANATO/BIOJÓIAS-MAPIÁ
 
O programa foi iniciado na década de 90 e, hoje, a Vila Céu do Mapiá dispõe de uma Casa do Artesão, coordenada por especialista em produção artesanal, em uma atividade econômica que con-grega cerca de 14%  dos moradores da vila. Esta unidade de produção artesanal é voltada para cursos, produção e comércio em costura, tear, artesanato, entre outros. Este programa constitui-se no primeiro empreendimento para a sustentabilidade ambiental e ecônomica transferido para a calha do Juruá.
 
 
Através da extração de produtos não madeireiros da floresta, principalmente borracha, sementes (como a de açaí, jarina, mulungu, paxiubinha, por exemplo) para a confecção de  biojóias (pulseiras, anéis, cordões, entre outros artesanatos). Os cipós e fibras (titica e ambé etc) também são utiliza-dos para a confecção de utensílios domésticos (vassouras, peneiras, cestos) e biojóias (anéis, colares e pulseiras).