Passagem da Madrinha Rita
PASSAGEM DA MADRINHA RITA
*Um legado de amor e doçura na expansão do Santo Daime*
Nossa amada Madrinha, Patrona e Conselheira Rita Gregório fez sua passagem para o plano espiritual neste dia auspicioso, 29 de abril, na força da lua cheia de Vesak, quando se comemora o nascimento, a Iluminação e a passagem de Sidharta Gautama, o Buda.
Para falar dessa perda da nossa querida Matriarca, precisamos levar em conta, antes de mais nada, a sua importância para a expansão da nossa Doutrina do Santo Daime. Papel que ela precisou assumir depois da passagem do seu querido “Bastião”, que era como ela se referia, na intimidade, ao nosso saudoso Padrinho Sebastião, patrono dessa missão. E ela cumpriu esse papel com muita dedicação e humildade, o que, aliás, era sua principal característica no trato com todos aqueles que a procuravam em busca de um conselho, de um consolo e de algum conforto espiritual. Humildade essa temperada também com muita devoção, sabedoria e compaixão.
Pois mesmo quando ela precisava ser mais rigorosa com alguém, sempre compensava isso com algumas tiradas joviais, bem humoradas e desconcertantes. E assim, todos saíam mais leves dessas conversas. Foi dessa forma que, pouco a pouco, ela foi se tornando uma referência, um símbolo do empoderamento feminino da nossa Doutrina - o que já tinha sido anunciado pelo Padrinho Sebastião, que sempre fez questão de ressaltar o importante papel das mulheres nos “tempos vindouros” que hoje já fazem parte do nosso presente, aqui e agora.
A Madrinha Rita teve uma vida dura no Vale do Açu (RN) , mas sempre nos contava como sendo boas as lembranças dos seus tempos de menina. Acompanhou a família para viver a vida não menos difícil dos seringais da Amazônia, onde conheceu e se casou com Sebastião Mota. No final dos anos cinquenta, eles se mudaram para Rio Branco e foi lá, com o início dos trabalhos na Colônia Cinco Mil, que pouco a pouco ela se tornou a Madrinha Rita que conhecemos hoje. Uma conselheira amorosa que até o fim de seus cem anos de vida, recebeu de braços abertos e abençoou uma romaria interminável de afilhados e afilhadas de todas as partes do mundo.
Com o avançar da idade e a dificuldade de locomoção, converteu a varanda de sua casa num verdadeiro santuário, onde as orações e os trabalhos espirituais se desenrolavam de forma quase ininterrupta. A destacar o papel abnegado de seus filhos, filhas, companheiras e cuidadoras que se dedicaram dia após dia para que pudéssemos usufruir de sua presença e de sua guia.
Era grande a importância desses rosários e orações diárias. Como uma espécie de farol que irradiava paz e firmeza para toda a Irmandade e um porto seguro de acolhimento para quem estava enfrentando dificuldades nas suas passagens espirituais ou no seu convívio na comunidade.
A falta de sua presença física com certeza será sentida agora por todos nós. Possivelmente uma estranha sensação de vazio será percebida por quem passar por ali pelo terreiro da sua casa na hora da Oração e não poder vê-la mais. Mas com certeza essa aura de santidade da nossa Madrinha continuará existindo e sendo sentida de qualquer maneira. Não apenas ali, dentro da nossa Catedral da Rainha da Floresta, mas em todas as nossas igrejas espalhadas pelo mundo afora.
O lindo Hinário Lua Branca trará cada vez mais novas compreensões e significados a partir de suas palavras simples, humildes e profundas, que tocam nosso coração. O amor e a doçura que ela tão bem soube expandir para todos e todas certamente frutificará em nós para ser depois (re)distribuído, pois essa é a regra que nos diz o hino: para que o amor divino continue circulando na nossa corrente e possa realizar as curas e os milagres para os quais ele está destinado.
Nesse momento tão sagrado e profundo que nos remete ao maior de todos os mistérios da existência, só nos resta agradecer por todo amor que recebemos, ainda em vida, da nossa Madrinha, e que certamente continuaremos recebendo de uma maneira diferente em nossos corações, venha ele de onde vier.
Gratidão, Madrinha Rita! Que sua barquinha esteja pronta para iniciar esta feliz viagem. A tristeza ficará em nós apenas por um momento. E sempre poderemos evocar seu sorriso cristalino, sua presença alegre e amorosa nas nossas lembranças.
No hino que a Madrinha me dedicou, ela diz que vai contar a sua história desde quando começou. A partir de agora iremos contar não como essa história terminou, mas como recomeça: com amor, saudade e gratidão. Pois ela continuará conosco para sempre.
A ICEFLU presta sua homenagem à nossa Madrinha Centenária e envia seus sentimentos de condolência para toda sua família, com votos de paz, união e consolação para toda nossa Irmandade.
Texto: Padrinho Alex Polari de Alverga, membro do Conselho Superior Doutrinário da ICEFLU.

